A vigilância dos pensamentos

Essa reflexão trata da vigilância dos pensamentos, porquanto eles poderão ser bons ou ruins, podendo influenciar ideias, criar percepções da realidade, ativar emoções, gerar conexões, estimular ações, formar hábitos, definir escolhas, induzir decisões, provocar atitudes, impulsionar palavras e moldar comportamentos na vida, dentre outros, causando efeitos e consequências positivas ou negativas para si mesmo e a seus semelhantes.

O Espírito Miramez, no livro “Moldando pensamentos”, na psicografia de Walter Junio da Silva Vieira, esclarece: “Nossa mente é um complexo onde são geradas as ideias, onde atua o pensamento e onde processamos todas as informações resultando em ações, novas ideias e novos pensamentos. (…) Tudo acontece em nossa mente. (…) É o nosso centro de controle, é o nosso posto de comando interno.”

Miramez complementa: “O poder da mente é muito maior e eficaz do que imaginamos. (…) Se somos influenciados externa e internamente, podemos nos preparar e buscar boas influências e bons contatos. (…) Cabe a nós a filtragem de nossas ideias e o trabalho com o pensamento.”

Os pensamentos são moldados por influências interna e externa, sendo fundamental selecionar o que se acolhe na mente. Opiniões de familiares, amigos, crenças coletivas, imposições sociais, dentre outras influências do ambiente externo, guiam grande parte dos julgamentos e das preferências.

Algumas pessoas vivem escravas e dominadas pelos pensamentos negativos que geram aflições, mentalizando que algo de errado acontecerá. Não raro, esses pensamentos induzem ideias fixas, tornando a pessoa obsessiva, compulsiva, fascinada e passional.

Quando os pensamentos negativos se tornam constantes, alteram a percepção da realidade e provocam ciclos de sofrimento físico e mental.

A influência equivocada ou distorcida da realidade conduz para ilusão, cuja percepção é moldada pelas informações e pelos estímulos que recebe. Nesse contexto, a mente funciona como um filtro do mundo real.

O autocontrole dos pensamentos torna-se medida fundamental para se viver melhor, estimulando a pessoa a ser mais cautelosa, criteriosa, equilibrada, vigilante e consciente diante de situações adversas, conflituosas e desafiadoras, fazendo-a não agir por impulso, pela paixão, pelo instinto e assumindo a responsabilidade de seus atos. Necessário reeducar os pensamentos, sentimentos e emoções.

Ao nutrir padrões mentais construtivos, eleva-se a vibração, inverte-se a polaridade, abrindo caminho para ações mais positivas.

Miramez, no mesmo livro, ensina: “O pensamento e a forma de pensar estão diretamente ligados ao que sentimos, ao que vemos, o que lemos ou o que ouvimos. Ele pode ser trabalhado, moldado. (…) Devemos estar sempre atentos no que seguimos, lemos, estudamos, vemos, e principalmente, no que falamos e como estamos agindo, pois o resultado está diretamente ligado ao que pensamos, nas ideias que surgem, ou seja, no que possuímos em nossa mente. O que filtramos antes de falar e agir já é uma grande vitória e conquista em nossa mente.”

Mais adiante, expressa: “Em muitos casos e por várias vezes nós deixamos que o externo nos atinja e nos influencie tanto em nossas ações como em nosso pensar. Nossa mente possui vários canais receptores de energias, palavras, notícias, sentimentos e sensações, e estes canais podem e devem ser trabalhados e acionados, por nós, conforme nossa condição moral e sentimental no momento. Com isso devemos estar atentos e vigilantes, equilibrados e confiantes na espiritualidade e nos pensamentos Divinos.”

O texto traz reflexão importante sobre responsabilidade diante daquilo que se permite absorver na mente. O equilíbrio emocional e espiritual advém de escolha e vigilância diária. Para se proteger das influências externas, importante filtrar estímulos, observações e sintonias. Por conseguinte, manter a mente no caminho de bem, com confiança na providência divina, orando e vigiando, é o maior escudo contra as turbulências do mundo.

Na questão 89, letra a), em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, os Espíritos da Codificação esclarecem que o pensamento é atributo da alma, em que o ser é aquilo que projeta mentalmente. Daí a relação entre alma, mente, pensamentos e ações.

A respeito dos pensamentos que nos influenciam, na questão 460, Kardec pergunta se, além daqueles que nos são próprios, haveria outros que seriam sugeridos. Os Espíritos Superiores respondem: “Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se combaterem.”

Por essa resposta, os pensamentos podem ter origens internas da própria pessoa, externas do ambiente em que se vive e, também, as que são sugeridas pelos Espíritos.

Na resposta à questão 459, somos esclarecidos que os Espíritos influenciam os nossos pensamentos e as nossas ações muito mais do que imaginamos.

Em “O Livro dos Espíritos”, na introdução, extraem-se os seguintes textos:

“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles.

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.”

Alguns maus pensamentos sugeridos são de Espíritos inferiores. Já os bons Espíritos suscitam pensamentos edificantes, desviando-nos da senda do mal, protegendo a vida dos que lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos.

Outra questão importante a se destacar, enquanto seres imperfeitos, é a relação que ocorre entre tentações e pensamentos ruins diante das vulnerabilidades e fraquezas da carne motivados pelos desejos e pelas satisfações no gozo dos bens materiais e dos prazeres imediatos, quando se tornam armadilhas para os desvios do caminho correto.

Nessa relação, a influência externa, chamada de tentação, somente dará causa se a pessoa ceder por sua vontade no uso do seu livre-arbítrio em suas escolhas e decisões.

Kardec, na questão 469, indaga como podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos, tendo como resposta: “praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: ‘Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal’.”

Portanto, poderemos repelir a influência, as sugestões e os maus pensamentos de Espíritos inferiores praticando o bem e confiando em Deus, os quais se aproveitam das nossas fraquezas e vulnerabilidades mediante tentações.

Os espíritos imperfeitos não têm o poder de nos forçar a praticar o mal. Eles apenas intensificam uma inclinação que já existe em nós. Eles se aproximam quando percebem que desejamos ou cultivamos o mal, e se afastam quando veem nossa firmeza em resistir.

A melhor defesa está na sintonia com o bem. As principais ferramentas para isso são: vigília constante, estando atento aos próprios sentimentos e identificando quando se está alimentando raiva, mágoa, luxúria, egoísmo ou orgulho; realizar prece ou oração sincera, que eleva o padrão vibratório e atrai bons espíritos em auxílio; e praticar a ação no bem pela caridade e manter a mente ocupada com pensamentos edificantes que neutralizam os espíritos inferiores em suas intenções.

Quão importante o ser humano vigiar e resistir às tentações, precavendo-se dos excessos, compreendendo a utilidade dos bens terrenos e dominando os atrativos dos prazeres decorrentes dos desejos, como meio para evoluir moral e espiritualmente.

As tentações são provas necessárias para que o ser humano possa desenvolver a resistência moral e a perseverança na prática do bem, mediante uma consciência vigilante contra certas atitudes, comportamentos, paixões, instintos, impulsos e sentimentos inferiores para promover o seu crescimento espiritual, superando as adversidades da vida.

Para sair do processo de tentação, é preciso vigiar os pensamentos com fé no presente, esperança no futuro e coragem para agir e superar as provas e expiações da vida, buscando força transformadora para quebrar as incertezas do pensamento negativo e fazer triunfar a confiança em dias melhores.

O pensamento é capaz de gerar alegria ou tristeza, paz ou angústia, saúde ou doença, liberdade ou escravidão.

Para qual direção está voltado o seu pensamento?

Mude o seu olhar e a sua perspectiva. Foque o crescimento pessoal. Vislumbre oportunidades de aprendizados. Cultive os pensamentos positivos.

Autor: Juan Carlos Orozco

Bibliografia:

EMMANUEL, (Espírito), na psicografia de Francisco Cândido Xavier. “O Consolador”. 18ª Edição. Rio de Janeiro/ RJ: FEB, 1997, Questão 310.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MIRAMEZ (Espírito), na psicografia de Walter Junio da Silva Vieira. Moldando Pensamentos. 1ª Edição. Belo Horizonte/MG: Editora Fonte Viva, 2020.

Para acessar o Blog Reflexões espíritas, clicar no link abaixo:

https://juancarlosespiritismo.blog/

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